sábado, 7 de março de 2026

Afinal, qual deve ser o tamanho do Estado do Piauí?

22 de julho de 2021

Talvez ao ler o título e após uma rápida pesquisa (afinal ninguém tem esse número gravado na cabeça – inclusive eu), o caro leitor tenha respondido objetivamente que o tamanho do estado do Piauí é de 251.577.738 km². Porém, não estamos aqui nos referindo ao tamanho do estado do Piauí no sentido geográfico, mas no sentido político.

Atualmente, há um forte debate no Brasil (e no Piauí) sobre qual deve ser o tamanho do Estado, ou seja, qual o papel que o Estado deve desempenhar na nossa sociedade e, a partir disso, quais bens e serviços cabem ao Estado fornecer à população e quais cabem à iniciativa privada. 

Liberais adeptos da escola clássica de Adam Smith, David Ricardo e Stuart Mill acreditam que o Estado deve ser “mínimo”, ou seja, deve intervir o mínimo possível na economia e só deve fornecer à população aquilo que a inciativa privada não tem interesse em ofertar: educação, saúde, segurança, justiça e defesa. Já os liberais adeptos da escola de Chicago de Friedman e Robert Lucas Jr. (são os chamados neoliberais) são um pouco mais radicais em relação aos liberais clássicos e dirão que o Estado nunca deve intervir na economia, pois ele é inerentemente ineficiente. Portanto, o Estado para os neoliberais de Chicago é “ainda menor” que o Estado dos liberais clássicos.

Antagonicamente aos liberais, os socialistas acreditam que todos os meios de produção devem pertencer ao Estado e não deve existir propriedade privada. Assim, caberá ao Estado fornecer todos os bens e serviços que a população precisa e todos os trabalhadores trabalharão para o Estado. Nesse caso, o Estado é “máximo”. Já os comunistas defendem o fim do Estado, pois na visão deles o Estado é uma forma de opressão sobre a classe trabalhadora e todas as decisões sobre quanto e o que produzir caberá aos sindicatos dos trabalhadores.

E no “meio termo” entre liberais e socialistas existem os social-democratas, adeptos das teorias de John Maynard Keynes. Na visão deles, o mercado possui falhas (assimetria de informação, externalidades e mercados com poder concentrado) e é preciso o Estado intervir na economia para corrigir essas falhas e conduzir a sociedade ao que eles chamam de estado de bem-estar social. Assim, os keynesianos se colocam entre os socialistas que defendem o fim da propriedade privada e um estado máximo, e os liberais que defendem que a iniciativa privada deve ofertar o máximo de bens e serviços possíveis à população e o Estado deve ser mínimo.

Note, caro leitor, que há diversas visões antagônicas sobre qual deve ser o papel e o tamanho do Estado. Note também que é difícil responder nossa indagação inicial de forma objetiva, pois não é possível medir o tamanho do Estado com uma régua. O Estado não é como um tecido (algo concreto) que você entra numa loja e pede um, dois ou cinco metros de tecido. Não dá para escolher cinco metros de Estado!

Entendo que o Estado do Piauí deve ser de um tamanho necessário e suficiente para promover o desenvolvimento socioeconômico do estado de uma forma sustentável, inclusiva e que combata a pobreza extrema e as grandes desigualdades que o assolam. O Estado do Piauí deve ser do tamanho dos sonhos da nossa gente.

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