sábado, 7 de março de 2026

A cidade dos vaqueiros: data nacional teve origem em União

De fazenda de gado a município, cidade teve a primeira associação de vaqueiros do país

30 de agosto de 2021

O vaqueiro é um personagem marcante da cultura piauiense. Mas é no município de União, localizado a 55 quilômetros de Teresina, que essa tradição é mais forte, tendo se tornado uma referência ao longo dos anos. 

Banhada pelas águas do Rio Parnaíba, a cidade que se originou de uma fazenda de gado, a ‘Fazenda Estanhado’, se tornou referência desse símbolo do sertão por celebrar, anualmente, o Dia Nacional do Vaqueiro. Foi lá, no ano de 1944, que se realizou a primeira passeata de vaqueiros do país, evento que se repete todos os anos no dia 29 de agosto.

(Foto: Thiago Amaral)

 

A data é bastante comemorada com uma grande procissão, missa e outras atividades em homenagem aos vaqueiros, que tomam conta das ruas da cidade logo nas primeiras horas do dia. O evento acontece dentro da programação dos festejos de São Raimundo Nonato, co-padroeiro do município. 

A institucionalização do 29 agosto como dia Nacional dedicado ao Vaqueiro aconteceu em 2008. O Projeto de Lei nº 3.986,  apresentado no ano de 2004 pelo, à época, deputado federal Nazareno Fonteles (PT) foi  sancionado pelo presidente Lula. 

 

Uma história de fé e tradição 

A história que começou em 1944 ganhou força e se tornou uma tradição com a criação da AVAU – Associação dos Vaqueiros de União, a primeira do país. Hoje, mais de 500 vaqueiros compõem a associação, criada por Chico Teófilo – vaqueiro e ex-vereador do município. 

Teófilo faleceu aos 67 anos – mas até hoje é na sua propriedade, a Fazenda do Vaqueiro, que acontece a programação do dia 29 de agosto – procissão, vaquejada e outros eventos fazem parte da agenda, todos os anos. Como vereador, criou o Dia Municipal do Vaqueiro e depois, usou de sua influência política para que a data no calendário se tornasse oficial em todo o estado e também no Brasil. 

Além da associação, União também é sede de um coral composto somente por vaqueiros. Sobre a criação, Chico Teófilo afirmou em vida: “Nós passamos a pedir cantando, ou melhor, aboiando, e com isto as coisas começaram a facilitar. Os governos começaram a entender e ajudar. A criação então foi para pedir cantando, o que antes fazia implorando”, citou, referindo-se a ajuda e apoios institucionais. 

 Coral dos Vaqueiros está desativado

O coral, que prosperou e já passou por vários estados do Brasil, encontra-se atualmente desativado. Sua coordenação alega a falta de apoio governamental para a manutenção. Francelino Pierote, filho de Chico Teófilo, coordena junto aos irmãos os eventos em homenagem aos vaqueiros. “O coral deixou de receber apoio governamental para sua manutenção há uns 3 anos”, comentou. “Com a pandemia, ficou inviável seguirmos com as apresentações e por isso está desativado”.

Francelino também informou que atualmente a sede da AVAU sedia um projeto apoiado pela Lei Aldir Blanc: a escolinha de música, que ensina crianças a tocar sanfona de forma gratuita. “São filhos e netos dos nossos vaqueiros. O professor é o Isaac do Acordeon, filho de um membro da associação e que se destacou junto ao coral”, destacou. Atualmente o projeto atende 38 crianças.

 

(Foto: ascom PMU)

 

Este ano, mesmo com as restrições da pandemia, a procissão e as demais atividades foram realizadas na cidade, seguindo os protocolos de prevenção à Covid-19. “Teve procissão, missa, cavalgada, pega do boi, música ao vivo e orientamos aos participantes sobre as medidas de prevenção”, disse Francelino. As atividades tiveram apoio e supervisão da polícia e autoridades em saúde do município.

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