Há uma brincadeira rodando as redes sociais que diz “não imaginava que 2020 seria uma trilogia”.
Estamos em 2022 e para além das perdas humanas e dos severos danos a nossa saúde mental, nossa percepção temporal também está extremamente afetada. Já não diferenciamos bem o que ocorreu em 2020 ou em 2021. Das nossas casas trancadas, ou do transporte que pegamos todo dia ao sairmos para o trabalho, tudo vai ficando muito parecido, e o marasmo e angústia só aumentam.
Por conta disso no fim de 2021 mesmo os mais enclausurados da pandemia relaxaram um pouco e foram para a rua, para alguma confraternização, festa de fim de ano com a família e afins. Ninguém há de apontar o dedo para ninguém – um isolamento tão longo não é saudável de qualquer forma.
E é nesse ponto que precisamos relembrar: o problema da pandemia é um problema de saúde pública, coletivo, e portanto só uma ação coletiva vai nos tirar dessa situação. Essa característica não deve ser confundida com uma espécie de voluntarismo pessoal; pelo contrário, a saída coletiva é algo que devemos fazer juntos, e cada um tem um papel específico a desempenhar nesse contexto.
Vamos relembrar 2021 a partir de uma grande vitória que tivemos: as vacinas chegaram! E para acelerar sua chegada, a oposição precisou instaurar uma CPI para forçar o governo a se movimentar. O mesmo governo que, faz pouco, tentou evitar ao máximo o anúncio da vacinação para as crianças. É lamentável, mas infelizmente é nisso que o Brasil se meteu.
Com as vacinas disponíveis, e com a terceira dose aprovada, precisamos nos vacinar. E mais, precisamos manter os hábitos de máscaras, sabão nas mãos, álcool em gel, evitar grandes aglomerações. Essa é a parte que não devemos nos descuidar.
Apesar de todo o trabalho contra do governo e em especial do presidente, o brasileiro, a exceção dos sem noção e dos radicalizados pelo discurso da extrema direita, entende a importância da vacinação e estende o braço para a agulhada. O quadro portanto é que temos um país com uma boa cobertura vacinal, mas que deu uma relaxada no final do ano logo quando uma variante mais transmissível, a ômicron, cresceu no país.
O problema é que não temos qualquer ideia do tamanho do impacto desse relaxamento no aumento do número de casos de COVID-19 no país. Motivo: um tal “ataque hacker” que ocorreu há mais de um mês deixou os sistemas de acompanhamento da pandemia durante um bom tempo sem funcionar, e quando voltaram ainda apresentam instabilidades.
É mais uma das contribuições do governo – há semanas estamos sem ter números confiáveis da dinâmica da pandemia, sem qualquer base para pensarmos ações e políticas públicas que poderiam ser implementadas com sucesso para estancar o ritmo da contaminação.
E assim começamos 2022: a pandemia ainda presente, um país um pouco mais protegido pela cobertura vacinal, e o governo ainda dificultando o que pode para atrapalhar nossa saída desse martírio.
Feliz 2022 e que 2020 não se torne uma tetralogia.
