sábado, 7 de março de 2026

O professor sanfoneiro

Sandrinho do Acordeon mudou a realidade da família e de seu município através da música

08 de junho de 2021

Edição Luana Sena

Ao redor, os galhos secos e a mata castigada pelo sol do sertão contrastam com a cor vibrante de um monumento. Um mastro erguido de tijolos e concreto sustenta uma sanfona com mais de cinco metros de altura, cujos detalhes foram esculpidos em cimento pelas mãos de um artesão. A 3km da cidade de Dom Inocêncio, por ali todo mundo se gaba de ter “a maior sanfona do mundo”, no Piauí.

Não é à toa que a cidade, a 615 km da capital, Teresina, seja conhecida como “a terra dos sanfoneiros”. A população também ostenta o orgulho de ter um sanfoneiro a cada 35 habitantes. É provável que este número tenha aumentado com o trabalho desenvolvido por um de seus ilustres moradores, o jovem Sandro Dias. Ou melhor: o Sandrinho do Acordeon. Sandrinho nasceu na Bahia, no município de Casa Nova, mas cresceu em Dom Inocêncio, filho do pedreiro Salvador Nunes e da dona de casa Socorro. Após o nascimento de Sandrinho, a família mudou-se para São Paulo, onde ele, ainda criança, teve contato com a explosão da música sertaneja nos anos 90. Foi lá também que viu pela primeira vez um instrumento musical. Salvador vendeu um carro e uma casa para comprar a primeira sanfona do filho. De volta ao Piauí, Salvador foi julgado como louco pela atitude. “Ele apostou tudo no sonho que era dele e meu também e deu muito certo”, diz Sandrinho.  Hoje, o músico é motivo de orgulho para toda a população inocentina e também em toda a região de São Raimundo Nonato, município próximo. Aos 27 anos ele já conquistou importantes prêmios na música: é tricampeão no Concurso de Sanfona de Petrolina (PE), participou de festivais em vários estados do país e fechou parcerias com cantores como Zezé Di Camargo e Luciano, Waldonys, Dorgival Dantas, Targino Gondim, entre outros. As irmãs mais novas, Paloma e Radija, também aprenderam a tocar e se apresentam com ele. Hoje, toda a família vive da música.

A música também foi base para a construção de um projeto social, desenvolvido por Sandrinho e seu pai e tido por ele como uma das maiores conquistas da dupla. “Acordes do Campestre”, em referência ao bairro onde moram, é uma escola de música que atende gratuitamente cerca de 200 crianças. Embaixo de um “imbuzeiro”, elas aprendem a tocar sanfona, zabumba, triângulo, flauta doce e violão. Sandrinho, que tem como ídolos nada menos que Luiz Gonzaga e Dominguinhos, é agora  ele mesmo o ídolo maior para essas crianças.  


Quando você menos espera

Sandrinho sempre dedicou a vida para a música mas, para além das apresentações e participações em festivais, a iniciativa de ensinar jovens e crianças através do seu  projeto social sempre foi uma missão. 

O projeto ganhou destaque nacional após estrear o quadro “Quando você menos espera” no programa Caldeirão do Huck, na Rede Globo. A equipe visitou a cidade de Dom Inocêncio e mostrou histórias de famílias impactadas pelo ensino de música a suas crianças. No palco do programa, Sandrinho ganhou instrumentos musicais, quadro branco, cadernos de música, suporte para partituras e até um carro para ajudar na locomoção das crianças – muitos jovens assistidos vem da vizinha São Raimundo Nonato.

A participação também rendeu a Sandrinho a oportunidade de conhecer e tocar com a dupla Zezé de Camargo e Luciano, o que lhe rendeu visibilidade para seu trabalho como músico. Já as doações ajudaram o projeto a crescer e melhorar em alcance e estrutura. “Nosso trabalho é voluntário e conseguimos os instrumentos por meio de doações. O valor para aquisição de uma sanfona é alto, por isso passamos a buscar algumas alternativas para custear o projeto, como a participação em editais públicos e algumas emendas parlamentares. Hoje temos vários alunos que já vivem da música, alunos que participaram e foram premiados em festivais. Isso é gratificante”, diz Sandrinho.


Dia da sanfona

Que Dom Inocêncio é a cidade da sanfona, o monumento em sua entrada já anuncia. Mas a cidade foi além e aprovou um projeto de Lei Municipal que instituiu o Dia da Sanfona, comemorado por ali todos os anos no dia 20 de setembro. Na época, é realizado um Festival da Sanfona, que atrai visitantes e movimenta a economia da região. “Hoje nossa tradição é respeitada e conhecida em toda a região”, cita orgulhoso

Para Sandrinho, o próximo passo é transformar a realidade dos moradores também por meio do turismo. “Com esse monumento queremos fortalecer nossa tradição, colocar o município no calendário nacional, talvez até internacional, de eventos culturais. E mostrar a todos que a sanfona é algo natural aqui, é o forte da nossa região”.

Categorias: Experiência

1 comentário

Sistcom · 14 de setembro de 2021 às 05:08

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