Marcus Peixoto escolheu o Piauí para viver – e fez desse palco uma grande festa. Cearense, chegou a Teresina na década de 1970 como piloto de avião. Por aqui seguiu outros voos: foi nome fundamental na publicidade, encabeçou campanhas, apostou em eventos. Acima de tudo, foi um grande agitador cultural – vivia e acreditava em tudo o que a arte e a cultura podiam oferecer.
Visionário, sempre apostou no potencial econômico do setor cultural. Seus projetos emplacaram o Piauí na rota de grandes artistas e espetáculos nacionais. Eclético, ia do axé ao rock sem fazer distinção. Se você foi adolescente nos anos 2000, certamente se lembra da cidade do rock erguida no meio do Jockey Clube.
Se era “jovem há mais tempo” (expressão que ele gostava de usar quando alguém o chamava de “velho”), viveu a época em que a avenida Marechal Castelo Branco se transformava no corredor da folia, num carnaval fora de época. Micarina e Piauí Pop: duas marcas, milhares de histórias.
Certa vez, nosso diretor, seu sobrinho, chegou para ele no meio de um show – mais um entre suas tantas produções – e disse: “Tio, e o prejuízo na bilheteria?”. Ele, sem parar de dançar, mandou: “Paguei o ingresso mais caro!”, disse, ajeitando os óculos. “Deixa eu aproveitar a festa!”
Peixoto morreu no dia 7 de abril de 2012, aos 59 anos, deixando os filhos Tiago, Márcio, Vinícius, a esposa, Rosalina e uma multidão de amigos. Hoje, dez anos após sua partida, oestadodopiaui.com estreia esta coluna falando das coisas que ele mais gostava. Livros, discos, músicas, cinema, shows, exposições. Preservar um espaço para a arte e a cultura é uma forma de mantê-lo, para sempre, vivo em nossa memória.


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