sábado, 7 de março de 2026

A mulher mais disruptiva do mundo

01 de agosto de 2022

Bem, julho passou e com ele o dia da mulher negra latina e caribenha, o dia de Tereza de Benguela e o dia da mulher africana. Então, por que eu estou falando de datas passadas, em pleno mês de agosto? “Que pauta mais atrasada!”, alguém poderia questionar.

Ué, você sabia que as mesmas motivações que tornam julho o mês da mulher negra, também seguem em curso nos meses que antecedem a data e nos meses posteriores? Não sabia?! Agora você já sabe.

Vou te contar mais uma coisa que talvez você não saiba (e espero estar errada): a mulher mais disruptiva do mundo é brasileira, acredita? E te digo mais, a Nina Silva é uma mulher negra retinta escolhida entre mil mulheres ao redor do mundo que vem causando impacto na inovação e tecnologia, através do Prêmio Woman in Tech Global Awards 2022.

E isso importa? Muito. Talvez (só talvez mesmo) se ela fosse uma mulher padrão, cabelinho castanho (com luzes puxando pro mel), olhinho claro (a cor vou deixar a seu critério) e falasse serenamente, os jornais estivessem falando sobre isso. 

Gostaria de corroborar, inclusive, antes que me acusem (equivocadamente) de racismo reverso, que até tenho amigos brancos, ok?! (Hahahhahaha).

Infelizmente, o apagamento histórico que persegue a população negra no Brasil ainda nos obriga a brigar até para que datas como estas sejam lembradas. Inclusive, em tempos de ameaças aos direitos que nós, mulheres, viemos sofrendo nos últimos anos. 

E aqui é preciso expor que mulheres negras ainda lutam pelo direito à existência. Lutamos ou brigamos, use a expressão que te fizer dormir melhor à noite. Mulheres negras não lutam apenas por direitos políticos, mas também pelo direito de sermos tratadas como seres humanos, pessoas.

É uma realidade que te causa choque em algum nível? Deveria.

Existe uma nuvem de complacência, que vem se dissipando, com muita luta, mas ainda nos impede de enxergar certas realidades que nos rodeiam. Sigo repetindo que o óbvio precisa sempre ser dito, repetido e relembrado, em todas as linguagens e situações e lugares. Não é possível lutar contra algo que se nega a existência. E só é possível ajudar aquele que quer ser ajudado – sabedoria ancestral. Os passos já foram traçados, vivemos um tempo que favorece a circulação de notícias, informações, conhecimentos e (infelizmente) também desinformações. 

É preciso que aqueles que ocupam locais de privilégio se utilizem disto para a construção de uma reconfiguração social baseada no futuro. E o futuro se constrói hoje. 

Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje, lembremos.

Categorias: