sábado, 7 de março de 2026

Pelo reajuste das bolsas científicas no Brasil

27 de fevereiro de 2022

Imagine-se enquanto líder máximo de um país, um presidente, que entende o papel da ciência nos diferentes setores de importância para a nação – na melhoria econômica, tecnológica, social, na saúde, na defesa, nas artes e cultura, e outras. Sabendo disso, você colocaria os principais responsáveis pelo desenvolvimento científico do país a receber valores irrisórios para que se dediquem a esse trabalho? Isso teria algum sentido?

Grande parte da ciência é produzida por estudantes de mestrado, doutorado e pesquisadores pós-doutorais, todos orientados por professores ou outros pesquisadores – afinal esses artigos são resultados das pesquisas realizadas para o desenvolvimento das dissertações e teses desses alunos. Um trabalho que necessita de esforço, dedicação máxima, muitas horas de pensamento, criação de hipóteses, aplicações de métodos, conferência de resultados, re-testes, análises, chegada a conclusões… o trabalho científico exige muito dos pesquisadores.

Nada mais natural que esses “trabalhadores da ciência” recebam para que possam se dedicar a suas tarefas. No Brasil isso é feito a partir de bolsas de estudo/pesquisa – o que difere de outros países onde esses pesquisadores são de fato contratados enquanto profissionais, recebendo mais e inclusive com acesso a direitos trabalhistas.

Mas voltando ao Brasil, pergunta-se: qual o valor de uma bolsa? Ela deveria ser suficiente para que esses pesquisadores, todos no mínimo jovens adultos, pudessem se dedicar exclusivamente ao trabalho e não se preocupassem com o mínimo para se viver com dignidade: aluguel, contas básicas, comida… correto?

Deveria ser assim, mas não é. Hoje as bolsas das agências federais CAPES e CNPq são de R$ 1.500,00 para mestrado e R$ 2.200,00 para doutorado, que inclusive estão com seus valores congelados desde 2013 – uma perda de 67% do poder de compra, segundo a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

Quem já precisou sustentar uma casa sozinho, e a depender da cidade, sabe que esses valores não são suficientes. E o que ainda piora é a exigência de que os alunos tenham dedicação exclusiva para manter a bolsa – o que, evidentemente, se fosse um valor suficente para a manutenção da vida de um adulto, seria razoável. Mas como não é o caso, a exigência não permite nem a realização de algum trabalho esporádico que possa vir a complementar esse orçamento.

A ANPG está com uma campanha pedindo o reajuste de 68% dos valores das bolsas, o que praticamente seria só a reposição das perdas de inflação do período. Nesse cenário, os valores subiriam para R$ 2.519,55 para mestrado e R$ 3.695,47 para doutorado. Esses valores podem ser entendidos como o “mínimo possível” e talvez viáveis para aprovação, dado o cálculo pragmático que o contexto político de hoje exige.

Mas não deixa de ser lamentável um governo que dá esse tipo de “incentivo” para que pesquisadores se dediquem ao desenvolvimento da ciência do país.

(ok, ninguém está surpreso aqui)

PS.: assine o abaixo-assinado da campanha da ANPG pelo reajuste das bolsas.

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